Ferramenta de apoio ao planeamento da rede ciclável
na área metropolitana de Lisboa

Nota: este projeto está em fase beta e a informação deste site deve ser considerada como work in progress.

Mapa

O que mostra este mapa?
Este mapa mostra a percentagem de viagens com origem em cada município que são realizadas em bicicleta.

Cenários

Em que consistem os cenários utilizados nesta modelação?

Cenário Base

Na área metropolitana de Lisboa são realizadas diariamente cerca de 5.3 milhões de viagens, em vários modos. O número de viagens em bicicleta, segundo o Inquérito à Mobilidade (IMob 2018), é de cerca de 25 mil viagens/dia.

Este é o cenário base, ou de referência, utilizado apenas para comparação com os cenários seguintes - de onde advém o potencial ciclável.

Cenário 1 - Viagens até 5 km

Este cenário inclui todas as viagens que podem ser realizadas entre freguesias até 5 km em bicicleta. Inclui também viagens que utilizam o transporte fluvial (barcos) para unir ambas as margens, embora esse troço não seja considerado no total dos 5km.

Este é um cenário conservador / realista.

Cenário 2 - Viagens até 10 km bicicleta elétrica

Este cenário inclui todas as viagens que podem ser realizadas entre freguesias até 10 km em bicicleta, considerando para tal que os ciclistas poderão utilizar uma bicicleta elétrica. Inclui também viagens que utilizam o transporte fluvial (barcos) para unir ambas as margens, embora esse troço não seja considerado no total dos 10km.

Este abrange uma maior gama de utilizadores, e tem em consideração possíveis políticas de incentivo à aquisição de bicicletas elétricas.

Cenário 3 - Viagens até 5 km de ou até uma interface de transportes públicos

Este cenário inclui todas as viagens que podem ser realizadas entre freguesias em transportes públicos, cuja primeira e última milha da viagem podem ser feitas em bicicleta, até uma extensão total de 5 km - por exemplo: 1 km de bicicleta até ao interface A, e 4 km de bicicleta entre o interface B e o destino.
Como transportes públicos, são considerados apenas o comboio, barco, metro sul do Tejo, e algumas carreiras da Carris Metropolitana. De uma forma conservadora, assumimos também que não são possíveis transferências entre transportes ou entre linhas/carreiras.

Este valoriza a utilização da bicicleta como complemento ao transporte público.

AML

Ver página com detalhes, mapas e mais resultados para a área metropolitana de Lisboa em AML

A área metropolitana de Lisboa tem uma população de 2 870 770 habitantes, segundo os Censos 2021. Diariamente são realizadas 5.33 milhões de viagens, em vários modos de transporte, das quais apenas 25 479 são realizadas em bicicleta (0.5%).

A tabela seguinte informa sobre o potencial ciclável em cada cenário considerado neste estudo, para ligações entre freguesias, realizáveis em bicicleta, e para percursos preferencialmente diretos.

Para todos os detalhes sobre estes resultados, ver a página da área metropolitana de Lisboa

Municípios

A tabela informa sobre o potencial ciclável em cada cenário considerado neste estudo, para ligações entre freguesias, realizáveis em bicicleta, e para percursos preferencialmente diretos.

Para um maior detalhe sobre os resultados de cada município, consultar a página individual, carregando no link do município, na tabela seguinte.

FAQ

Perguntas e respostas simplificadas.

O que é a ferramenta biclar?

O biclar é uma ferramenta online que informa os decisores sobre o planeamento e investimentos em infraestrutura ciclável, de modo a atingir as metas da Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa Ciclável (ENMAC).

Qual o objetivo da ferramenta biclar?

Pretende-se que esta ferramenta informe os decisores, em comparação com o cenário atual de utilização de bicicleta, sobre:

  • Quais as ligações prioritárias e percursos entre Freguesias e entre Municípios, a investir com infraestrutura ciclável, consoante o cenário adotado e a rede (primária ou secundária);
  • Qual o incremento potencial de utilizadores de bicicleta de cada infraestrutura ciclável, bem como qual a substituição modal (redução de outros modos);
  • Quais os impactes previstos a curto e longo prazo (1 e 10 anos) em termos ambientais (CO2eq evitado) e sociais.

O biclaR faz um estudo de procura para o modo ciclável na área metropolitana de Lisboa?

Não. Como explicado na questão anterior, o biclaR identifica quais as ligações prioritárias a estabelecer entre pares origem-destino numa determinada geografia por forma a acomodar a transferência de viagens em modos motorizados para a bicicleta. Para tal são definidos cenários e pressupostos para essa transferência potencial.

Um estudo de procura implicaria uma estimativa da probabilidade de transferência dos modos motorizados para a bicicleta, não sendo esse o objectivo deste projeto.

Como ler os mapas disponibilizados?

Os mapas apresentam a informação gráfica para duas redes - a rede ciclável para viagens mais diretas, e a rede para viagens mais seguras e tranquilas (conforme a rede viária existente).
A largura das linhas varia consoante o número de ciclistas potencial para cada um dos cenários (4% e 10% de ciclistas), e essa informação é visível ao passar com o rato em cima da linha.
A cor das linhas varia com o nível de tranquilidade (quietness), sendo as mais escuras aquelas menos seguras para circular em bicicleta - indicando com maior clareza quais os segmentos que necessitam de intervenção para se tornarem mais seguros e potencialmente trazerem mais ciclistas: os mais escuros e mais largos.

Ao clicar em cada linha, uma janela abre-se com mais informação sobre as viagens estimadas que podem passar por aquele segmento, incluindo os benefícios sociais e ambientais estimados, e as características físicas daquele segmento.

É possível ver mais do que uma opção de rota em simultâneo (direta / segura). Por exemplo, podem-se comparar alternativas e cenários de transferência de 4% e 10% das viagens em automóvel privado para a bicicleta, nos centros urbanos, tal como estabelecido pela Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa Ciclável (ENMAC).

Posso descarregar os mapas em formato tipo shapefile?

Sim! Na secção de downloads de cada página individual dos municípios, ou de toda a AML.

Estes mapas estão disponíveis em formato GeoPackage (.gpkg), que pode ser ligo em qualquer SIG moderno. É recomendável o software de acesso livre QGIS para leitura, visualização e análise de dados em detalhe.

Quero ver uma rede com mais detalhe, é possível?

A rede disponibilizada poderá não corresponder à que é apresentada nos mapas, que mostram apenas os segmentos com uma quantidade mínima de viagens potenciais em bicicleta no cenário de 4%. Disponibilizamos a rede com maior detalhe possível para todos os cenários, com um mínimo de 15 viagens/segmento no cenário 1, 50 viagens/segmento no cenário 2, e 10 viagens/segmento no cenário 3.
Poderíamos disponibilizar a rede sem qualquer mínimo, mas em termos de planeamento de infraestruturas cicláveis, consideramos que é mais útil informar sobre aquelas com maior potencial de transferência modal.

Para visualizar os segmentos dependendo do número de viagens potenciais: utilizar os filtros do SIG, por exemplo, para visualizar só os segmentos com mais de 500 viagens, ou todos os segmentos com mais de 10 viagens em bicicleta.

Quero ver a rede ciclável com maior potencial de transferência modal, é possível?

Sim, tal como descrito na questão anterior, para visualizar os segmentos dependendo do número de viagens potenciais: utilizar os filtros do SIG, por exemplo, para visualizar só os segmentos com mais de 500 viagens. Quanto maior for o número mínimo de viagens a visualizar, mais importante ou prioritária é a rede (em termos de potencial de viagens transferidas do automóvel).

Mas atenção que convém olhar também para os níveis de tranquilidade dos segmentos, cruzanto ambas as informações para encontrar a rede prioritária: aquela com maior potencial de tranferência & aquela que é atualmente menos segura para circular em bicicleta.

O que é o nível de tranquilidade?

O nível de tranquilidade é estimado numa escala de 0 a 100 (em que o 100 é o nível mais tranquilo), e é definido pelo CycleStreets (ver quietness).

Os caminhos fora de estrada, por exemplo em parques e jardins, têm o nível máximo de tranquilidade. Ruas calmas e com infrastrutura ciclável terão um nível ligeiramente inferior, e ruas principais com muito tráfego terão níveis muito baixos de tranquilidade.

As linhas dos mapas sugerem que devo planear uma infraestrutura ciclável exatamente ali?

Não. Os mapas mostram sugestões de percursos, mais diretos ou mais seguros, entre freguesias. Poderá haver outras soluções a ter em conta, como por exemplo a construção de uma ponte ou de uma passagem inferior, a abertura de um caminho inexistente por um jardim, etc.

Para cada contexto poderão ser tomadas decisões e escolhidas soluções de entre uma variada panóplia. Recomendamos a consulta dos mais recentes manuais internacionais para ajudar a decidir sobre o tipo de solução escolhida.

Como posso avaliar se uma rua ou avenida é adequada para incluir na rede ciclável futura?

Deverá localizar esse segmento da rede viária nos mapas que identificam as ligações prioritárias e percursos para os vários cenários que pretende analisar, e verificar se foi selecionado nessa rede, ou se é uma boa alternativa (próxima) a uma das ligações identificadas.

Poderá avaliar igualmente qual o potencial de transferência que oferece, se se trata de uma ligação mais segura ou mais direta, e que impactes potenciais se pode esperar, designadamente em termos de impactes sociais e ambientais.

Como são estimados os benefícios sociais e ambientais?

Os benefícios potenciais são estimados em duas vertentes, utilizando os métodos e a ferramenta HEAT for Cycling, da Organização Mundial de Saúde.

A componente ambiental é medida em toneladas de CO2eq evitado, por transferência de viagens equivalentes em automóvel, com a mesma origem e destino, mas não necessariamente com o mesmo percurso.

Os impactes sociais agregados, na componente da saúde, são estimados em termos de redução/aumento da mortalidade por aumento de atividade física, por exposição à poluição atomosférica, e por exposição ao risco de sinistralidade rodoviária.
Este valor é, por fim, monetizado utilizando o Valor Estatístico da Vida (€3.055.358, segundo ANSR 2021), estimado para 10 anos, com uma taxa de desconto de 5% e inflação de 3%.

Posso fazer o mesmo tipo de análise para outra cidade ou área metropolitana?

Claro!

Este é um dos pontos-chave deste projeto: a sua reprodutibilidade, transparência, e adaptação para outros contextos ou novos cenários.

Todo o código utilizado está disponível no repositório de dados abertos criado com este projeto, em github.com/U-Shift/biclar.

Tendo dados de viagens para caracterizar o cenário base (ou dados simulados), e mais alguns necessários dependendo dos cenários a considerar, é possível sim.

Gostava de avaliar o potencial ciclável para um outro cenário, é possível?

Sim, ver a resposta à questão anterior.

Sugerimos começar por fazer download do projeto e scripts utilizados, carregando em Code e Download ZIP. Alguns dados estão disponíveis na parte de Releases. Sendo um utilizador GitHub, é também possível simplesmente fazer um Fork ao projeto para a sua conta.
A partir daí, e tendo algumas noções de R, é possível adaptar o código para criar outros cenários.

Se considerar que o novo cenário desenvolvido deveria também constar nesta ferramenta, é possível fazer um pull request, e a equipa biclaR irá avaliar os contributos e decidir sobre a sua integração. Esta é a beleza do código-aberto e da colaboração 🙂.

Ver o relatório metodológico para mais detalhes sobre o funcionamento desta ferramenta.

Sobre

Objetivos da ferramenta biclaR

O biclaR é uma ferramenta online que informa os decisores sobre o planeamento e investimentos em infraestrutura ciclável, de modo a atingir as metas da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável 2020-2030 (ENMAC).

Pretende-se que esta ferramenta informe os decisores, em comparação com o cenário atual de utilização de bicicleta, sobre:

  • Quais as ligações prioritárias e percursos entre Freguesias e entre Municípios, a investir com infraestrutura ciclável, consoante o cenário adotado e a rede (primária ou secundária);
  • Qual o incremento potencial de utilizadores de bicicleta de cada infraestrutura ciclável, bem como qual a substituição modal (redução de outros modos);
  • Quais os impactes previstos a curto e longo prazo (1 e 10 anos) em termos ambientais (CO2eq evitado) e sociais.

É também possível saber a informação agregada por município ou para toda a AML, para cada cenário escolhido, sobre todos os valores acima descritos.

A equipa biclaR

  • Coordenação: TML - Transportes Metropolitanos de Lisboa, E.M.T., S.A. - António Sérgio Manso Pinheiro (Diretor do Departamento de Estudos e Projetos), Catarina Tavares Marcelino (Coordenadora), Camila Garcia, Conceição Bandarrinha, Luísa Nogueira, Pedro Machado.

  • Desenvolvimento: Instituto Superior Técnico - Universidade de Lisboa - Filipe Moura, Rosa Félix.

  • Apoio ao desenvolvimento: Institute for Transport Studies - University of Leeds - Robin Lovelace.

Agradecimentos

  • Grupo de Trabalho dos Municípios, composto por representantes e técnicos dos 18 municípios da área metropolitana de Lisboa
  • Comissão de Acompanhamento do projeto biclaR, composto por várias entidades e instituições de caráter público e associativo, organizado pela TML
  • Matheus Correia - OpenStreetMap Portugal
  • Rafael Pereira - r5r
  • Thomas Götshi - HEAT for Cycling
  • CycleStreets
  • ATUMIE team

Feedback

Para reportar algum problema com a ferramenta, ou colocar questões, pode abrir um issue no nosso repositório de dados abertos.

Contactos

Para qualquer esclarecimento adicional, por favor enviar um email para info @tmlmobilidade.pt com o assunto biclaR.

Última atualização

Este website foi atualizado pela última vez a 2023-02-28, pelas 10:43.